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A pesquisa, que avançou muito entre nós, nos últimos anos, no aperfeiçoamento de técnicas e métodos e na elevação da finalidade da busca de conteúdos, tornou-se indispensável para dar segurança a atos, atitudes e decisões de governos, empresas e instituições. E com um elemento adicional sobremaneira significativo: ela é hoje um grande instrumento de transformação social, pois sinaliza, com clareza, as demandas da sociedade, estabelecendo, com segurança e rigor científico, o melhor papel de cada ator social.

Creio, pois, na pesquisa como instrumento de alavancagem de mudanças e de valorização da cidadania, sobretudo quando o seu objetivo é determinar o espaço e a responsabilidade de indivíduos, grupos e organizações e, partir disso, estabelecer e ditar as tarefas adequadas e que lhe são pertinentes. Ela capta aspirações e dá, democraticamente, voz a todos os segmentos de forma representativa, mesmo àqueles que não usam o telefone sequer para reclamar, sugerir ou reivindicar, pois isso é típica atividade dos chamados líderes.

Há muito chão a ser percorrido, mas o cidadão assumiu o leme, já comanda. Por exemplo: se a Sociedade quer algo mais azul em determinado momento, ela será mais bem atendida se lhe for colocado à disposição bens, produtos e serviços naquela tonalidade de cor. E isso move todos os atores públicos ou privados que, quando não oferecem, capitulam ante a vontade geral.

Nessa linha, nós que já lançamos o “flash” de mercado e o perfil psicográfico no país, fizemos um “flash” de comportamento para saber o que as pessoas achavam do mensalão, o maior escândalo político de nossa história recente, o resultado surpreendeu, porque a população ouvida dividiu-se em dois grupos antagônicos em relação ao assunto: metade afirmou que se fosse congressista faria o mesmo, se locupletaria do cargo, e a outra metade tudo um absurdo. Geralmente fatos como esses, independentemente do resultado detectado, geram forte tensão e irritabilidade, refletindo-se no cotidiano das pessoas, seja no trabalho, no trânsito, nas filas, no relacionamento interpessoal ou familiar. A pesquisa, ao mostrar situações pontuais que exigem interferência leva os homens públicos e empresários a mudarem o comportamento, a tomarem uma atitude. A Sociedade armada de informações tem mais poder para cobrar providências, nem que seja só para se irritar menos, pois o “irritômetro”, hoje em dia, tem registrado marcas muito elevadas.

Pelo “flash” de comportamento é possível antecipar necessidades. Nós conseguimos verificar, quatro anos antes de aparecerem as primeiras medidas pertinentes, que a população já demandava a antecipação da responsabilidade dos jovens de 18 para 16 anos.. Também detectamos que, após o último grande acidente aéreo no Brasil, cresceu o medo de viajar de avião e a necessidade das empresas trabalharem para reconquistar os medrosos, por meio da campanhas sobre a segurança desse meio de transporte.

Atualmente, embora muitos ainda não tenham percebido, as empresas com responsabilidade social e ambiental começam a ganhar a preferência do consumidor. Na medida em que isso existe e é divulgado, as próprias empresas mudam a sua forma de trabalhar, para atender uma nova necessidade do público. Os números são esclarecedores. Para 37 por cento dos pesquisados, o grau de responsabilidade social do fabricante não pesa na decisão de compra. Confrontando “a turma do tanto faz”, quarenta e três por cento só comprariam, na escolha entre dois produtos, aquele fabricado por uma empresa com responsabilidade social; e vinte por cento querem saber como se comporta a empresa que produz o que eles consomem antes da compra. São sessenta e três e por cento praticamente a exigir novas práticas empresariais. Há, pois, uma predisposição fantástica, em relação ao que se via há alguns anos. Ótimo para os bons e um alerta para os que precisam mudar para não perder mercado. Logo, se o consumidor quer saber a origem dos produtos, as empresas precisam se mostrar mais com uma adequada política de comunicação, porque a sociedade está alinhando a sua decisão de compra com a responsabilidade social e ambiental de quem supre as suas necessidades.

Hoje, a pesquisa trabalha com a cidadania real, pelos estilos de vida das pessoas, e descobre situações que desembocam em caminhos que ajudam o governo a formular políticas públicas mais realistas e as empresas a fazer o que a população realmente precisa, seja dois bolsos numa calça ou o cós mais baixo, seja a questão da violência, dos transportes, entre outras. A pesquisa moderna é a voz de uma sociedade que tende a se tornar mais feliz, pois conversa com aquele que não quer falar,nem com o SAC, surgido da Rhodia no início de 80, no pioneiro “Você fala, a Rhodia escuta”, origem do primeiro “ombudsman ” empresarial no País, em 1984.

A pesquisa está na raiz das mudanças ao detectar e puxar o saudável crescimento do consumo de orgânicos no Brasil, e além de dimensionar o porte de todos os mercados. Por fim, com a globalização, a pesquisa, que conhece melhor o brasileiro, cruza as fronteiras para conhecer o mundo e suas necessidades. Mas, amparada nas lições dos erros iniciais, percebe a tempo que não adianta ser global sem respeitar as características locais. Quem fizer o contrário certamente quebrará a cara, já que até internamente há diferenças marcantes, identificadas somente por pesquisa. A pesquisa pode detectar tudo, desde que seja dirigida de tenha como objetivo principal a questão da cidadania e a própria conscientização das empresas e governos e o papel de cada um diante dos seus públicos. É muito simples e todos começam a perceber isso positivamente, até como uma ferramenta para as suas políticas de prioridades e de investimentos. Isso é notório e notável.

 

(*) Rubens Hannun, diretor da H2R Pesquisas Avançadas, é administrador de empresas, com mais de 30 anos de experiência em marketing, pesquisa de mercado e gestão de relacionamento. Responsável pela criação do primeiro Serviço de Atendimento ao Consumidor no Brasil (Você Fala, a Rhodia Escuta) e pela primeira Pesquisa de segmentação psicográfica realizada no país. É cônsul honorário da Tunísia e vice-presidente de marketing da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Membro da ESOMAR desde 1980.

 

 

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