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A cada eleição o eleitor adquire mais experiência em votar. A seu modo, vai experimentando e amadurecendo sua cidadania.

Uma consequência direta disto, que pode estar ocorrendo como um fenômeno político ainda pouco percebido pelos candidatos, é o fato do voto, cada vez menos, estar sendo decidido dentro do tempo regulamentar do chamado período eleitoral (julho, agosto e setembro, basicamente).

O eleitor vem desenvolvendo seus próprios meios de acompanhar os políticos e suas ações. Este acompanhamento ocorre dentro de um processo em que se utiliza de muitos outros recursos de informação, que simplesmente, as formas tradicionais de divulgação da propaganda eleitoral. Obviamente, a internet pavimentou esta transformação perceptiva.

Subestimar a inteligência do eleitorado, é aceitar o risco de ver a batalha pelos votos por perspectivas difusas, e ter que se encontrar com a derrota sorrateira na virada da esquina, na segunda-feira, após as eleições. A exemplo disso, os políticos adoram falar das grandes obras e projetos que realizaram, mas a grande maioria do eleitorado quer saber mesmo são das ações miúdas do seu dia-a-dia (varrição das ruas, limpeza das praças, pontualidade do transporte coletivo, regularidade no fornecimento de medicamentos).

O político, ou governante, insiste em falar das grandes obras. E por que o eleitor não vê estas obras? Ora, porque ele vê a cidade que habita. E a cidade que habita é 99% a cidade do seu cotidiano: casa, trabalho, caminho de casa.

E o que tem no caminho de casa? Os grandes projetos que os governantes estão falando? Não.

No caminho de casa têm as ruas (com buracos ou não), o trânsito (fluindo ou não), as ruas (limpas ou não). 99% das pesquisas de opinião que abordam esta temática, as demandas do eleitor, indicam estas reivindicações “miúdas” como sendo as prioritárias.

O mesmo eleitor não se preocupa com as questões de maior visibilidade como as grandes obras ou como os gastos excessivos da prefeitura? Sim, mas a questão é entender o quanto, qual o percentual de força desta demanda, ou seja, qual escala de prioridade o eleitor confere a estes temas que são até importantes na perspectiva da gestão municipal, mas pouco relevantes para o cidadão que luta para sobreviver.

Faço questão de escrever sobre isto, pois acredito ser o primeiro erro grosseiro de grande parte das campanhas eleitorais: a ideia soberba de ainda acreditar que o candidato pode “moldar” o pensamento e, ao final, a intenção de voto do eleitor através de ações de marketing apenas. Uma das primeiras reações do cidadão votante (cada vez mais experiente e calejado no ato de votar e se decepcionar), é perceber a “dinheirama” que o candidato X está gastando em sua campanha. Ele relaciona este fato à sua penúria, à sua falta de grana, à sua humilhação diária de não ter dinheiro nem para comprar aquele presente que o filho pediu.

Outro estranhamento entre a campanha do candidato e sua vida de “mortal” (do eleitor), é com aquele comportamento “padrão candidato”, que grita em artificialismos em sorriso fabricado, no discurso enlatado de sempre, atitudes fáceis de bom samaritano, “só que não”. Todos sabem ao que me refiro.

Mas marketing eleitoral não é importante? É fundamental! São estas ferramentas que darão publicidade e farão com que o candidato possa chegar aos seus eleitores. Entretanto, o que precede as ações de publicidades, é a capacidade do candidato e de sua equipe, perceberem o seu eleitor não como um votante apenas, mas como cidadão que pensa e age conforme sua percepção.

Trata-se, portanto, de buscar este entendimento de mundo, com sua forma particular de entender a vida e assim pautar uma campanha eleitoral conectada com este eleitor, diverso e cada vez mais experiente, que vota cada vez menos pelas aparências, e que vota sobretudo baseado no que sente e não apenas no que lê, ouve ou vê.

No “dia D”, quem vota é o eleitor e por centenas de motivos. Pensa em um funil, a urna neste caso, pra onde todos os votos serão encaminhados. Para que o voto chegue lá, os caminhos foram tão diversos quanto é a percepção de cada eleitor. Por isto, em parte, cada eleição é única. Cabe ao candidato e sua equipe buscarem este conhecimento, que nem de longe está na mente brilhante de algum especialista. Está na mente e no coração do eleitor.

Ainda bem!

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